Foram publicados hoje os rankings das escolas do ensino básico e secundário. Um dos dados mais relevantes da informação publicada é o diferencial entre a nota interna dada pelo estabelecimento de ensino e o exame nacional feito pelo aluno.
De acordo com a informação divulgada, os colégios privados representam 67% do universo de escolas que inflacionam as notas quando representam apenas 17% do universo total de escolas. Este dado poderá permitir a alguns concluir que, a haver facilitismo no ensino em Portugal, ele estará certamente focado no ensino privado.
“É sistemático. Não se trata de uma fenómeno que aconteceu num ano ou que pudesse ser justificado por alguma flutuação”, afirma Gil Nata, investigador do Centro de Investigação e Intervenção Educativas da Universidade do Porto, em declarações ao jornal Público. Segundo o presidente da Comissão Nacional de Acesso, João Guerreiro, esta prática introduz desigualdade no acesso ao ensino superior já que “uma diferença de um ponto será suficiente para que um aluno ultrapasse 200 ou 300 colegas no momento de entrada num curso universitário”.
Sem surpresa, as escolas privadas continuam sem fornecer a informação da escolaridade dos pais e o contexto socioeconómico que permitam fazer comparações com escolas públicas com um perfil de alunos comparável.