A Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação (CNIPE) acusa as editoras e livreiras de fazerem campanha contra a gratuitidade e reutilização dos manuais escolares apenas mobilizadas pelos seus interesses económicos.
A CNIPE afirma que a única preocupação das editoras é a de (não) “perder o poder económico” sobre o negócio dos manuais escolares, estimado em 11 milhões de euros anuais. Esta posição das associações de pais surge no seguimento da declaração da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) que tinha considerado um falhanço o grupo de trabalho que foi constituído pelo ministério para desenhar um programa de aquisição e reutilização de manuais escolares.
“Nós enquanto pais ficamos preocupados quando estes lóbis impedem que as famílias fiquem desanuviadas e livres deste encargo anual, quando há a garantia de que o processo vai ser transparente, que vai ser para todos os alunos e (que os manuais) vão ser reutilizados. Para nós estes são os princípios e é isto que nós defendemos”, disse à Lusa o representante da CNIPE, Rui Martins.
“Verificámos que ao longo (das reuniões de trabalho) aquilo que se pretendia discutir era uma política do governo e não uma política das escolas”, criticou Rui Martins. “Os manuais escolares desde que sejam convenientemente tratados, que não tenham exercícios, que os nossos filhos não tenham de escrever e tomar lá nota é o caminho num mundo tecnológico tão avançado”, acrescentou.