Opinião

Uma lei não é um argumento

Comments (4)
  1. Efeeme says:

    Alguém de direita lê a Constituição?
    Só se for o Zé Rodrigues dos Santos, quando se esquece de tomar os remédios.

  2. Efeeme says:

    Os Cardeais Cerejeiras, Os Cónegos Melos e a Constituição

    Os crimes de tortura a idosos ou os crimes de abuso sexual a crianças e jovens perpetrados por membros da igreja, devem fazer meditar os católicos.
    Ainda assim, outras matérias devem merecer especial atenção, designadamente os interesses financeiros e a corrupção existente no seio da igreja católica.
    Ora vejamos.
    No princípio de Outubro de 2012 o então ministro das finanças Victor Gaspar, anunciava ao país um aumento da carga fiscal a que chamou “um enorme aumento de impostos”.
    Grande parte dos portugueses ficou em choque com o que ouviu, porque de imediato inferiu que a maioria dos cidadaõs ia ser submetida a grandes sacrifícios.
    Uns dias depois, em plenas cerimónias religiosas em Fátima, o então cardeal patriarca de Lisboa resolveu dar o apoio público da igreja católica às medidas do ministro Gaspar, do seu governo e à própria Troika.
    Afirmou o cardeal que só havia um caminho a seguir e não dois e, o sacrifício que era pedido aos portugueses ia levar a resultados positivos.
    Ninguém queria acreditar na gravidade de tal afirmação.
    “O cardeal a fazer política”. “Não se admite”. “Não vim cá para isso”, sussurravam algumas pessoas incrédulas.
    Mas, foi sem dúvida um verdadeiro apoio político ao governo e à austeridade.
    E, não contente com tamanha enormidade, o prelado continuou com o seu indecoroso e inadequado discurso, fazendo um forte ataque às manifestações, tendo afirmado que a contestação na rua não resolvia os problemas do país.
    Uma igreja a quem competia defender os desprotegidos e os mais pobres, foi, ao invés, o maior apoiante das políticas de austeridade impostas à maioria dos portugueses pelos governantes corruptos, mesmo sabendo que estava a condenar à morte muitos cidadãos, nomeadamente católicos.
    Já quando foi chamada a pagar IMI pelos imóveis que possuía, essa mesma igreja recusou cumprir com a sua obrigação fiscal.
    Algumas dezenas desses imóveis foram transformados em escolas e colégios privados e grande parte deles são financiados pelo Estado, ao abrigo dos contratos de associação previstos na Constituição da República, que garante o direito gratuito à Educação às crianças e jovens que não dispõem de oferta pública na sua área de residência.
    Mas, chegou-se à conclusão que esse financiamento já não se justifica em determinadas escolas privadas, pelo facto de haver na mesma localidade oferta pública de ensino.
    A igreja, sente-se acossada, sabe que vai perder milhões de euros e pela voz do actual cardeal patriarca de Lisboa envolve-se num caso meramente político e junta-se à direita reaccionária e ao grande capital no protesto contra o governo, argumentando com a liberdade de escolha.
    Desta vez, por achar estar a defender os seus interesses, a igreja, desonesta e desavergonhadamente, apoiou publicamente a manifestação contra o fim dos contratos de associação.
    Quer dizer, a igreja critica e despreza a contestação do pobre que é roubado, mas quando se trata dos seus interesses financeiros, a igreja mostra-se disponível para o protesto e para a manifestação de rua que outrora rejeitou.
    O cardeal está a marcar a sua posição e dá a entender que futuramente abraçará o projecto político da nova reaccionária, Assunção Cristas do CDS-PP e, a meu ver esta inopinada união vai gerar um desassossego constante nas hostes do PSD.
    Rui Rio e o presidente marcelista vão esfregando as mãos de contentamento.
    Como é sabido, foram poucos os membros da igreja portuguesa que se preocuparam com as liberdades e, o cardeal patriarca pretende apenas servir os filhos da classe média alta e os filhos dos ricos e poderosos, uma prática frequente da igreja católica que já vem de longe.
    Para alcançar o objectivo esta gente faz qualquer coisa, mesmo que isso signifique a instrumentalização, a coacção e a intimidação de crianças, obrigando-as a marcar presença em manifestações de rua.
    Por fim, duas notas.
    O pobre não é obrigado a pagar os luxos do rico e, entre recrutar crianças e jovens para o terrorismo jihadista e recrutar crianças e jovens para manifestações de rua, venha o diabo e escolha.
    Em ambos os casos, é crime.

  3. Fernando Simões says:

    Num estado de direito a leis são para cumprir. Logo os contratos ilegais têm que ser anulados e os políticos, corruptos, que os assinaram ou deles tenham tirado partido, como alguns diretores regionais, deveriam prestar contas perante a justiça.

  4. Marta nogueira says:

    A questão é mesmo a que é levantada pelo comentário anterior… se houve ilegalidades devem ser apuradas e o Estado deve ser responsabilizado pelas asneiras que fez, porque como foi o Estado a decidir, é o unico responsavel pela situação. E pôr o interesse de particulares – do próprio Estado inclusive – à frente do interesse da comunidade e do país é asneirinha pública da grossa. Este sacudir de responsabilidades para os privados também não é muito bonito de se ver, ja agora.

    E depois podiamos continuar pela justiça, obras públicas, saúde, economia, finanças and so on. Resolvia-se o problema da divida num instante!

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